Ouvidos

Alto verão, calor, piscina e as otites

Alto verão, calor, piscina e as otites

No alto verão a molecada quer saber mais de estar na piscina e com isto aumenta muito os casos de dor de ouvido.

Fiz uma entrevista sobre o assunto com o Dr. Jamal Azzam médico formado pela USP em 1986, com residência médica no Hospital das Clínicas de São Paulo. O especialista tem de 30 anos de experiência em atendimentos e cirurgias na área de otorrinolaringologia. Dr. Jamal atende crianças, adultos e idosos de ambos os sexos; é membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e ministra palestras em diversos congressos a nível nacional e internacional.

No ponto de vista do médico otorrinolaringologista, qual a melhor idade pra criança começar a praticar natação?
Não existe restrição para o início da natação, mesmo em bebês pequenos. Entretanto, é fundamental e obrigatório que antes do início da natação o bebê ou a criança passe em consulta com um médico otorrinolaringologista para exame clínico e visualização do conduto auditivo e membrana do tímpano, bem como a avaliação respiratória nasal (especialmente quanto a questão de rinite alérgica ou rinite do lactente). Uma vez examinada e autorizada, nenhuma restrição ocorrerá.

Tem algum estudo de incidência em dor de ouvido em bebês, a famosa dor de ouvido de nadador?
As otites externas incidem em 3 a 10% da população geral, sendo que no verão este número aumenta significativamente, chegando até a 20% do número total das consultas de otorrinolaringologia. A otite do nadador é um tipo de otite externa ocasionada pela exposição prolongada e repetida a água de piscina ou mar. A pele do canal auditivo fica com microfissuras, permitindo a entrada e proliferação das bactérias. A dor costuma ser intensa e lancinante. Pode ocorrer febre e vazamento de pus, além da diminuição drástica da audição.

Após uma otite média com pus e sangramento, com um rompimento do tímpano, a criança pode voltar a ouvir normalmente e fato que o tímpano se recupera? Existe alguma possibilidade de alguma perda auditiva nesta situação mesmo que pequena? Qual exame deve ser feito para verificar a audição nestes casos?
Otite média aguda é uma situação extremamente comum, especialmente em crianças até 1 ano de idade. Nesta faixa etária estima-se que cerca de até 60 % dos bebês terão ao menos um episódio. Aos 7 anos de idade cerca de 90 % das crianças já tiveram pelo menos uma otite média aguda. Nos Estados Unidos a otite média aguda é responsável por até 40 % das prescrições de antibióticos orais dos pequeninos. Lá estima-se que são gastos anualmente 5 bilhões de dólares com os custos diretos e indiretos dos tratamentos das otites. Toda otite média tem seu potencial de gravidade e complicações, além dos sintomas que são bastante incomodativos.Quando existe um vazamento de pus em um quadro de otite média, certamente existe uma perfuração da membrana do tímpano a qual permitiu a drenagem. Isto gera uma perda auditiva momentânea e a massiva maioria dos casos tem uma cicatrização completa, sem sequelas, nem anatômicas, nem auditivas. Ou seja, a criança volta a escutar normalmente. Entretanto, em alguns casos pode haver complicações que geram perdas auditivas (que podem ser definitivas), como vemos a seguir:

• otite interna (labirintite infecciosa)
• perfuração da membrana do tímpano com otite média crônica simples
• perfuração da membrana do tímpano com otite média crônica supurativa
• perfuração da membrana do tímpano com otite média crônica colesteatomatosa
• otite média adesiva

Portanto, o tratamento e acompanhamento devem ser feitos com médico otorrinolaringologista e assim evitar todas as possíveis complicações graves. O acompanhamento pode ser feito apenas clinicamente, ou seja, através das consultas periódicas, ou através de exames complementares como a audiometria, impedanciometria, BERA etc. Tudo dependerá da idade do paciente e da indicação precisa do médico.

Mãe de Moleque

Sobre o autor

Dr. Jamal Azzam

Dr. Jamal Azzam

Jamal Sobhi Azzam é médico formado pela Faculdade de Medicina da USP em 1986 e especialista em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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